Ginástica Aeróbica

LIVRO 1 GAE

REGRAS FIG 2017-2020



A HISTÓRIA DA GINÁSTICA AERÓBICA ESPORTIVA

A ginástica aeróbica competitiva ou esportiva surgiu nos Estados Unidos da América na década de 1980 quando o Professor Cooper lançou suas primeiras idéias de condicionamento aeróbico no planeta. Nessa época, nos EUA, surgiram as formas de comunicação mais rápidas como fax, internet e TV a cabo. No âmbito esportivo, surgiram também as academias e a então nova moda da ginástica aeróbica. Música, movimento, adrenalina e muito estilo fizeram dessa nova prática o “boom“ do momento. Empresas americanas e internacionais como Reebok, Nike e outras viram nesse mercado uma grande possibilidade de venda. Com isso, os americanos precisavam criar algo que fizesse essa modalidade permanecer em alta e os professores dessa nova tendência foram se tornando “heróis e/ou ídolos“ dentro das academias, vistos como homens e mulheres de corpos perfeitos, que deveriam ser seguidos por todos os frequentadores desses locais.
A mídia tornou esse trabalho mais um produto no mercado, e em 1985 surgiu a primeira ideia de competição. Segundo Franzen, o americano Howard Schuatz criou o primeiro campeonato de ginástica aeróbica e a federação que representaria essa modalidade, a ICAF (International Competitive Aerobic Federation), que, junto com a AFAA (Aerobic and Fitness Associaton for American), tornariam possível a junção das atividades de sala de aula com os palcos de competição. A fase Jane Fonda tomou conta do mundo. John Travolta com suas danças no filme Saturday Night Fever (“Embalos de sábado à noite”) fez com que homens e mulheres de todo o globo aderissem a essa nova moda gerando um nicho de mercado importante.
Os japoneses e europeus, nessa mesma época (1985), iniciaram também seus torneios e convenções dentro da ginástica aeróbica esportiva. No Japão, criou-se a International Aerobic Federation (IAF), federação presidida por Konishi e que seria a principal rival da federação criada nos EUA. Salienta-se que a IAF possuía como patrocinadora a Suzuki Motors, que ainda vê nessa modalidade uma forma lucrativa e continua patrocinando o esporte, através desse estilo de vida e fazendo o link com automóveis e motos de grandes potências.
No ano de 1987, alguns países como Inglaterra, França, Austrália e Brasil agregaram-se aos EUA, realizando o primeiro campeonato mundial da modalidade, denominado World Aerobic Championship, que foi transmitido e patrocinado pelo canal ESPN (rede mundial de esportes televisivos).

Os japoneses, para combater esse fato, iniciaram também o trabalho de migração de representantes no mundo, assim criando, no mesmo ano de 1987, o Suzuki World Cup, com premiação em dinheiro.
O esporte, na década de 1990, tomou conta do planeta e do cotidiano de várias nações, academias e clubes. O mercado fitness encontrava-se em plena ascensão e seus professores ou seguidores entraram em evidência na mídia e no imaginário social.
Em 1995, duas grandes rupturas surgiram no esporte aeróbico. A ICAF, com sede nos EUA, passou a ser pressionada por seus representantes, principalmente os europeus, com o propósito de realizar os eventos mundiais em diferentes países, não mais mantendo o monopólio das competições na América. Esse mercado fitness, que crescia a cada ano e que criava novos adeptos para realização dos campeonatos mundiais em vários países, não contou com a aprovação da ICAF. Dessa forma, formou-se uma nova divisão e uma nova federação foi criada, a Federação Internacional de Esportes Aeróbicos e Fitness (FISAF), com sedes na Austrália e Europa, e que passou a realizar seus próprios campeonatos, denominados Professional World Aerobic Championship.
Em 1994, durante o Good Will Games em São Petersburgo, na Rússia, a Federação Internacional de Ginástica (FIG) constatou o crescimento, tanto em número de atletas como em números financeiros dos eventos, e decidiu realizar um encontro com a IAF e ICAF para a junção e unificação de regras gestadas pela própria FIG e seu comitê. Esse fato, posteriormente negado pelos EUA e pelo Japão, fez a FIG criar seu próprio evento e regras, fazendo migrar muitos dirigentes e atletas das outras federações pelo fato de que oferecia a entrada da modalidade nos Jogos Olímpicos seguintes.
Ainda segundo Franzen8, em 1995, na cidade de Paris, a FIG promoveu seu primeiro campeonato mundial, iniciando assim a decadência da modalidade pelas divisões de força, tanto financeira como de interesse por parte dos praticantes, que não mais sabiam por qual federação competir. Em 1996, a ICAF torna-se Associação Nacional de Aeróbica Competitiva (ANAC) e, percebendo o problema, unificou-se com a IAF do Japão, procurando criar as mesmas regras e realizando um circuito mundial para a aeróbica, com etapas mundiais em suas sedes e prêmios em dinheiro.
A FISAF, com maior número de europeus entre seus membros, realizou seus eventos ao redor do globo, inclusive no Brasil, tanto que em 1998 organizou seu campeonato mundial na cidade de Santos junto com a convenção Fitness Brasil, atualmente muito mais direcionada à parte comercial do fitness, tanto que criou naquela época a Les Milles (Body System). A FIG, vendo que não estava ganhando terreno, iniciou uma represália com os atletas do mundo, boicotando e proibindo os mesmos de participarem de outros eventos que não fossem dessa federação e fazendo com que os governos informassem a todos os treinadores, dirigentes e atletas que tivessem vínculo com as federações “não oficiais“ que perderiam regalias e seriam inscritos na “lista negra” da FIG.

Dessa forma, muitos desses profissionais, nos mais diversos países do mundo, acabaram aderindo à FIG ou até mesmo abandonando a modalidade pela falta de liberdade que foi imposta pela referida medida.
No ano de 2000, a ANAC e a IAF, após tantos conflitos de interesses, aceitaram se filiar à FIG, podendo assim manter seus eventos não mais mundiais, mas grands prix internacionais, autorizados pela FIG e sob a regulamentação dos representantes da mesma. Porém, a FISAF manteve-se um órgão independente e continua até hoje sem alterar sua identidade ou se submeter a essa forma de política esportiva, mesmo perdendo inúmeros países e atletas em sua corporação.
Com o passar do tempo, as Olimpíadas de 1996 em Atlanta, 2000 em Sydney, 2004 em Atenas e 2008 em Pequim mostraram ao mundo novas modalidades e a ginástica aeróbica não passou a integrar o calendário das competições olímpicas como fora prometido pela FIG.

HISTÓRIA DA GINÁSTICA AERÓBICA NO BRASIL
A ginástica aeróbica inicia-se no Brasil por volta de 1985, com o primeiro campeonato nacional chamado Cristal Live, e com coordenação de Waldir Soares e Mauricio Fernandez, que nessa época eram sócios e condutores do mercado emergente do fitness em nosso País.
Segundo Franzen, em 1986 ocorre a ruptura da sociedade comercial dos coordenadores do referido campeonato, fazendo com que os mesmos formassem representações nacionais das federações IAF e ICAF no Brasil, e realizando, cada um deles, feiras esportivas acompanhadas dos campeonatos que atraíam cada vez mais o público-alvo.
A IAF (representada no Brasil por Maurício Fernandez) tornou-se nacionalmente conhecida como campeonato M2000 e o campeonato da ICAF, de Waldir Soares, denominou-se Campeonato Aeróbica Brasil. Ambos os eventos ganharam mercado, pois conseguiram patrocinadores fortes e, com isso, iniciaram a regionalização da modalidade fazendo com que os estados da União tivessem seus representantes e que cada um deles deveria fazer de sua marca o alvo preferido do público.
Apesar de tanta disputa por espaço na mídia, nas academias e com os patrocinadores, ocorreu a conquista de um público leigo que fez com que o “fenômeno ginástica aeróbica” chegasse aos lares mais distantes do Brasil. Com a conquista sucessiva de títulos mundiais para o País, os atletas brasileiros iniciaram sua profissionalização, tanto que suas características foram copiadas e importadas por diversos países, o que garantiu ao Brasil um status que nunca fora visto na história das ginásticas.

A ginga, a forma física e o carisma de nosso povo mantiveram durante duas décadas a hegemonia brasileira nos títulos internacionais, mostrando ao mundo uma nova potência esportiva e criando assim um mercado para os professores (campeões) em todo o planeta, como treinadores e coreógrafos internacionais.
O grande momento brasileiro na ginástica aeróbica foi em 1995, quando os atletas de academias passaram a se profissionalizar no esporte, dedicando horas de trabalho e podendo sobreviver com as remunerações dos patrocinadores. Em muitos canais de TV, a exposição dessas novas estrelas esportivas era vista quase que semanalmente, tornando esses atletas modelos que passaram a ser alvo de cópia profissional.
Com a chance de a ginástica aeróbica tornar-se esporte olímpico, a modalidade entrou em cena a nível nacional como o veículo de futuras medalhas de ouro para o Brasil. Porém, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), responsável naquele momento por direcionar a modalidade aos Jogos Olímpicos, não ofereceu o status e a atenção que a mesma requeria, deixando-a de lado, contando apenas com alguns expoentes aficionados pelo esporte.
Com a impossibilidade do ingresso da mesma nos Jogos, a diminuição do interesse dos patrocinadores e atletas era inevitável, e a moda das academias iniciou sua decadência entre os anos de 1997 e 1998.
Como solução para as academias, entrou em cena o Body System, resgatando assim aqueles profissionais do fitness em um novo mercado. Mas isso não significou que os torneios ou eventos da aeróbica tenham acabado. Aconteceu apenas uma diminuição na visibilidade dada ao esporte e em relação ao número de participantes. Em 2003, profissionais do Estado do Rio Grande do Sul, através do professor e atleta Cláudio Renato Costa Franzen, juntaram-se com professores ligados à ginástica aeróbica do interior de São Paulo, através da Professora Regina Cavalcanti. Essa iniciativa trouxe a criação da Liga Brasileira de Ginástica Aeróbica e Fitness (LIBRAF), na tentativa de reaquecer a modalidade no Brasil e objetivando popularizar e difundir o esporte, tendo como base as características da ginástica aeróbica original, ou seja, muita coreografia e carisma, aliando a parte técnica com a parte artística.
A LIBRAF tem sua sede em Porto Alegre-RS e está bastante presente no interior de São Paulo e Rio de Janeiro, realizando anualmente sua Copa Brasil e o Sulamericano, tendo como filiados atualmente nove países da América Latina (Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela).